• Daniela Lompa Nunes

A velha e a nova história



O mundo parou.

Estamos paralisados por fora e por dentro. Estamos, pelo planeta inteiro, encarando o maior dos nossos medos, a morte. 

Vivemos um momento de desafios gigantes na saúde e na economia global. Nunca passamos por nada parecido na nossa história recente e conectada. A única certeza é de que teremos tempos duros pela frente.

Porém, para além destes desafios, as lições do confinamento mundial representam uma oportunidade imensa.

O Dr. Stephan Harding, pesquisador de ecologia profunda na Schumacher College, escreveu:

"A crise do vírus é grande e imediata o suficiente para nos fazer parar, refletir e reavaliar todo o nosso modo de vida, mas também é uma crise que devemos ser capazes de resolver com nossa ciência, tecnologia e engenhosidade. Em outras palavras, ela está nos dando a chance de aprender nos confrontando com uma crise que, até certo ponto, é reversível."

Nos últimos 200 anos a raça humana ganhou muito em qualidade de vida e conforto devido à evolução de tecnologias e meios de produção. Mas já faz um bom tempo que as pessoas vêm jogando uma partida arriscada com o futuro, conduzindo negócios que contribuem em escala massiva para esgotar recursos naturais e humanos. Atualmente consumimos 30% a mais dos recursos naturais do que o planeta é capaz de repor, milhares de espécies estão sendo extintas a cada ano. A ONU mostra em seus relatórios que mais de dois terços da população mundial vive em países onde a desigualdade aumenta ano a ano. A Síndrome de Burnout, esgotamento mental e físico ligado à vida profissional, atinge homens e mulheres no mundo todo e foi classificada como doença pela OMS. Para citar apenas alguns dos problemas gerados pelo nosso modo de vida.

É neste contexto que surge este organismo microscópico e pára à força a locomotiva desenfreada da nossa sociedade.

Devemos aproveitar a chance deste momento e refletir seriamente sobre como seguir com nosso modo de vida, nossa forma de produzir, nossos objetivos enquanto sociedade. 

O mestre Satish Kumar chamou atenção certa vez para duas palavras que têm muito em comum mas nem sempre as relacionamos: economia e ecologia. 

As duas começam com "eco", do grego oikos, que significa casa. Economia quer dizer administração da casa enquanto ecologia é, por definição, o conhecimento da casa. 

A realidade é que, pelo mundo todo, a maioria dos atores da economia pouco conhecem sobre os conceitos da ecologia e esta desconexão é a base de muitos dos problemas que avançam e nos aguardam num futuro próximo.

Esta crise está nos mostrando, que vivemos todos na mesma casa: o planeta Terra. O que acontece de um lado, mais dia, menos dia chega ao outro.

É fácil concordar que precisamos conhecer muito bem qualquer coisa para poder administrar. Portanto economia e ecologia deverão andar, daqui para frente, de mãos dadas.

E por onde começar, como reagir, como mudar o curso desta história?

Os negócios são vetores de evolução da sociedade e têm muita responsabilidade neste momento. Como disse Frederic Laloux:

" As organizações modernas trouxeram progressos sensacionais para a humanidade em menos de dois séculos. Nenhum dos recentes avanços na história da humanidade teria sido possível sem as organizações como veículos para a colaboração humana."

Precisamos refletir profundamente sobre por que existem as organizações e quais deveriam ser os objetivos das empresas e suas marcas. Conceitos que já vinham sendo falados como colaboração, cocriação, impacto positivo serão essenciais nesta fase de revisão.

Teremos que abandonar a velha história baseada em competição e escassez, onde o lucro dita as regras e onde se explora pessoas e natureza. E escrever uma nova história mais inclusiva, abundante, que conecte as pessoas e reconecte a humanidade à natureza.

Devemos aproveitar a oportunidade que estamos tendo para reinventar de forma mais humana e inteligente a nossa forma de estar mundo.

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